A aposentada Dagmar do Carmo, moradora de Campinas, viveu um verdadeiro turbilhão em sua vida nos últimos anos. Em 2025, após enfrentar um tratamento rigoroso contra o câncer, ela se viu diante de um desafio que abalou sua autoestima: a perda total dos cabelos. “Sempre fui muito vaidosa, tinha o cabelo no meio das costas. Aí quando eu me vi careca, eu não me conformava, né?”, relembra Dagmar, que agora, um ano depois de vencer a doença, decidiu transformar sua história em solidariedade.
No último dia 19, Dagmar participou da 2ª edição do projeto Corte do Bem, realizado no Hospital de Clínicas da Unicamp. Com seu cabelo já em crescimento, ela fez questão de doar os novos fios para a confecção de perucas destinadas a pacientes em tratamento oncológico. “Ainda está meio curto, mas acho que dá, né? Se a gente puder fazer isso para alguém, é uma boa”, disse com um sorriso no rosto.
O evento contou com a ajuda de cabeleireiros voluntários que se dedicaram a realizar cortes em quem se dispôs a ajudar. Para garantir que as doações sejam aproveitadas na confecção de perucas, é necessário que as mechas tenham entre 10 a 15 centímetros. A ação, que teve seu horário limitado até as 16h do mesmo dia, foi realizada em parceria com a ONG Kombinha do Bem, cujo “Tio Fininho” é um dos personagens mais amados, levando as mechas para serem transformadas em perucas em Boituva.
Na primeira edição do Corte do Bem, realizada em março de 2025, foram arrecadadas doações de 105 pessoas. Além disso, a Unicamp se tornou um ponto fixo de coleta para aqueles que desejam contribuir em outras oportunidades. Cada corte traz consigo uma história de afeto e gratidão. Por exemplo, a auxiliar de limpeza Jéssica Simoso fez a doação em cumprimento a uma promessa feita quando sua filha, Gabriela, de 11 anos, esteve internada na instituição. “O projeto nosso era sair daqui e doar o nosso cabelo para as pessoas que precisam, né? Isso é legal”, comentou Jéssica.
A gratidão também levou a auxiliar de limpeza Adelaide Ribeiro Lima a viajar 24 horas de Espinosa (MG) até Campinas para fazer sua doação. Após uma cirurgia na Unicamp em 2018, ela se sentiu compelida a retribuir. “Estou muito feliz, muita emoção”, disse ela, emocionada. Já Lilian da Silva Gonçalves, técnica em enfermagem, viu no corte uma forma de ajudar, mesmo sem poder doar sangue. “Não imaginava tanto cabelo assim, mas estou muito feliz porque estou fazendo uma boa ação. Era tudo o que eu queria”, compartilhou.
Crédito da imagem: HC da Unicamp promove ação para doação de cabelo em Campinas



