Em Campinas, a preocupação com a segurança das crianças em relação a produtos domésticos perigosos tem se intensificado, especialmente com o aumento alarmante de casos de intoxicação. A pediatra Camila Prado, do Centro de Informações Toxicológicas da Unicamp, destaca que substâncias corrosivas, como a soda cáustica, podem causar queimaduras severas e sequelas permanentes nos pequenos.
Entre janeiro e outubro de 2026, o município registrou 166 casos de intoxicação acidental envolvendo crianças, superando o total do ano anterior. A maioria das ocorrências (76%) envolve crianças entre 1 e 4 anos, uma faixa etária em que a curiosidade e a exploração do ambiente são intensas, mas a compreensão dos riscos é limitada.
A médica explica que os produtos corrosivos são particularmente perigosos, pois os danos podem ocorrer rapidamente após o contato ou ingestão. “Essas substâncias podem causar queimaduras sérias nos tecidos. Contato com os olhos pode resultar em queimaduras oculares, enquanto ingestão pode levar a lesões no trato gastrointestinal”, alerta Prado.
A gravidade dos casos pode se agravar, resultando em complicações como sangramentos e perfurações, além de sequelas que afetam a alimentação ao longo da vida. “Mesmo que o acidente não seja fatal, as consequências podem ser devastadoras”, ressalta.
Desde 2020, Campinas contabilizou 954 intoxicações acidentais em crianças de até 12 anos, com destaque para medicamentos e produtos de uso doméstico, como água sanitária e desinfetantes. Outros itens perigosos incluem pilhas, venenos, inseticidas e até algumas plantas, como a comigo-ninguém-pode.
Em caso de intoxicação, é fundamental buscar atendimento médico imediatamente e evitar provocar vômito ou oferecer alimentos sem orientação profissional. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp pode ser contatado pelos telefones (19) 3521-7555 e (19) 3521-6700.
Para garantir a segurança, a dona de casa Uri Vaz adota medidas rigorosas em sua residência. Os produtos de limpeza são mantidos em armários trancados e os medicamentos ficam em locais altos. “O organismo das crianças pequenas ainda está se desenvolvendo. A gente nunca sabe o que pode acontecer”, diz, reforçando a educação sobre os riscos para suas filhas mais velhas.
A situação em Campinas serve de alerta para todos os pais e responsáveis: a vigilância constante é essencial para prevenir acidentes que podem ter consequências graves e duradouras.


