Recentemente, o Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais, se tornou o cenário de uma descoberta inusitada: um lobo-guará foi flagrado devorando uma urutu-cruzeiro, uma serpente peçonhenta que faz parte do ecossistema local. O fotógrafo Alessandro Abdala, que estava em uma expedição com turistas, capturou o momento em setembro deste ano, enquanto observava a fauna do Cerrado.
Durante a observação, Alessandro notou o lobo-guará com a cabeça baixa, aparentemente em busca de algo entre as plantas. Quando levantou a cabeça, o fotógrafo percebeu que o animal carregava uma serpente na boca. “Foi um clique rápido, mas importante. O lobo já estava comendo a serpente, que estava parcialmente consumida”, relata Abdala.
Embora tenha registrado a cena impressionante, o fotógrafo não presenciou o momento da captura. Especialistas, como o herpetólogo Willianilson Pessoa, sugerem que a serpente poderia já estar morta ou ser um resquício de outro predador, já que a dieta do lobo-guará é bastante variada, incluindo frutos, pequenos mamíferos e aves, mas não há evidências concretas de que o canídeo tenha caçado a urutu-cruzeiro.
A identificação da serpente foi feita a partir das características morfológicas e da coloração, e a dúvida sobre a origem da presa levanta questões sobre os riscos que um mamífero pode enfrentar ao consumir uma serpente venosa. “Mesmo que a urutu-cruzeiro já estivesse morta, o lobo poderia ser exposto a riscos, caso as presas inoculadoras ferissem seu organismo”, explica o especialista.
Esse flagrante não só amplia o entendimento sobre a dieta do lobo-guará, mas também poderá ser um marco na literatura científica, já que, até o momento, não havia registros específicos do canídeo se alimentando de uma urutu-cruzeiro. O material capturado por Abdala está sendo preparado para uma nota científica, que será submetida a pesquisadores e poderá contribuir significativamente para o conhecimento sobre as dinâmicas de predador e presa no Cerrado.
Alessandro destaca a importância de registrar esses momentos raros: “Esses registros podem trazer informações relevantes sobre como as espécies interagem em seu habitat natural. Cada observação é uma oportunidade de aprender mais sobre a vida selvagem”. A Serra da Canastra, com sua rica biodiversidade, continua a surpreender e ensinar aqueles que se aventuram a explorar suas belezas naturais.
Crédito da imagem: Alessandro Abdala



