sexta-feira, 23/10/2026

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Diário de Campinas

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Esforços intensificam para preservar os micos-leões-pretos em risco de extinção em duas décadas

Uma população de micos-leões-pretos localizada no Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo, enfrenta um futuro incerto. Com menos de 18 indivíduos, esses primatas estão sob ameaça de extinção em até 20 anos, caso…

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Uma população de micos-leões-pretos localizada no Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo, enfrenta um futuro incerto. Com menos de 18 indivíduos, esses primatas estão sob ameaça de extinção em até 20 anos, caso não sejam implementadas medidas de conservação efetivas. Para reverter esse quadro preocupante, pesquisadores do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, realizaram a translocação de nove micos de uma área mais populosa, esperançados de que essa ação ajude na sobrevivência da espécie.

O fragmento de Mata Atlântica, que abriga esses micos, possui cerca de 500 hectares e já foi monitorado há anos. Gabriela Rezende, coordenadora do Programa de Conservação do Mico-leão-preto, destaca que a situação tem sido acompanhada desde 2013, quando foram registrados cinco grupos de micos. Desde então, o número despencou para apenas dois ou três grupos, levantando alarmes entre os especialistas.

As análises feitas com o software VORTEX indicavam que a diminuição da população era uma questão iminente. A morte de um ou dois indivíduos em grupos tão pequenos pode ser catastrófica, já que cada perda representa uma fração significativa da população total. O isolamento dos fragmentos de floresta também dificulta a movimentação dos micos, agravando ainda mais o problema.

Com a translocação, o primeiro grupo de micos foi transferido em janeiro de 2024, seguido por outro em 2025, com o objetivo de aumentar a diversidade genética e fomentar novas formações de grupos. No entanto, o processo não foi isento de desafios. Após a soltura do segundo grupo, a morte de uma fêmea dominante, cujas causas não foram esclarecidas, alterou rapidamente a dinâmica social entre os animais.

Apesar dos desafios iniciais, os pesquisadores já notaram a formação de novos grupos, o que é um sinal positivo. Gabriela acredita que essa reorganização, embora antecipada pela morte da fêmea, é um passo necessário para a adaptação dos micos ao novo ambiente. A diversidade genética é crucial, pois ela não apenas fortalece a população, mas também aumenta a capacidade de adaptação a mudanças ambientais, algo cada vez mais relevante em tempos de clima instável.

Os cientistas aguardam ansiosamente o nascimento de filhotes nos novos grupos, pois isso será um sinal de que os micos estão se adaptando bem ao seu novo lar. Embora a reprodução ainda não tenha sido registrada, a presença dos indivíduos no fragmento é um indicativo de que a iniciativa já está dando frutos.

A experiência adquirida neste projeto poderá beneficiar outras populações de micos-leões-pretos em situações semelhantes. O IPÊ já está trabalhando em três outras populações que precisam de intervenções para garantir sua sobrevivência. Para isso, é necessário um planejamento cuidadoso e um investimento significativo, mas a esperança de salvar esses primatas continua firme.

Com a criação de corredores ecológicos e a recuperação da vegetação na região, o futuro dos micos-leões-pretos pode ser mais promissor. O trabalho feito até agora representa um esforço valioso para garantir que essas criaturas icônicas da Mata Atlântica não desapareçam de vez.