A história de uma mulher que viveu um verdadeiro pesadelo em Campinas traz à tona a realidade de muitas vítimas de violência doméstica. Ela descreve momentos aterrorizantes, em que o então companheiro a agredia fisicamente e a mantinha sob controle, fazendo com que acreditasse que não teria saída. “Ele me pegava pelos cabelos, me batia muito, e me punha para dormir. Dava remédio para dormir. Terrível, porque eu pensei: eu vou morrer”, revela, ao relembrar a opressão vivida.
O medo constante de um desfecho trágico era palpável, especialmente por conta das facas espalhadas pela casa, que a deixavam ainda mais vulnerável. A oportunidade de escapar surgiu de forma inesperada, quando o agressor, acreditando que ela não teria mais forças, deixou a porta aberta. “Foi onde eu saí correndo”, conta aliviada, mas ainda assombrada pelo que viveu.
Após a fuga, a mulher retornou ao local com a Guarda Municipal, na esperança de recuperar alguns de seus pertences, mas o agressor se recusou a abrir a porta. Essa situação, que poderia ser um recomeço, ainda está marcada por traumas. Quase três meses depois, ela relata que as dores físicas já diminuíram, mas as cicatrizes emocionais persistem. “As manchas roxas saem, mas o psicológico fica abalado. Até hoje eu sonho, tenho pesadelos”, lamenta.
Esse relato não é isolado; os índices de cárcere privado têm crescido em São Paulo. Especialistas alertam para os métodos de controle, isolamento e intimidação frequentemente presentes em casos de violência doméstica. Teresinha de Carvalho, especialista no tema, explica que os agressores costumam afastar as vítimas de suas redes de apoio, dificultando denúncias e a possibilidade de ruptura da relação abusiva.
“Se ele não está conseguindo mantê-la ao lado dele, ele tenta trazê-la para o seu meio, sem que ela tenha contato com o mundo e com outras pessoas”, explica Teresinha. Para ela, a comunidade deve estar atenta a sinais de abuso, como mudanças de comportamento e isolamento social. “Na primeira vez que acontecer, as mulheres têm que denunciar, porque sempre vai haver uma segunda ou terceira vez”, enfatiza.
Os números são alarmantes: a Polícia Civil de São Paulo registrou um aumento significativo nos casos de cárcere privado, passando de 629 inquéritos em 2021 para 910 em 2025. Até setembro de 2026, já eram 382 inquéritos abertos. A realidade é que, para muitas mulheres, a luta contra a violência ainda está longe de acabar.
Crédito da imagem: Mulher relata fuga de cárcere privado: ‘Pensei: vou morrer’


