Com o fim da escala 6×1, pequenas empresas de Campinas e região já sentem a necessidade de se reorganizar. A nova legislação, que prevê dois dias de descanso remunerado por semana e a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, está fazendo com que muitos empresários recalcularem seus custos e o número de funcionários. Um hotel em Campinas, por exemplo, planeja aumentar seu quadro de colaboradores em até 20% para se adequar às novas exigências.
Enquanto os trabalhadores celebram a possibilidade de ter mais tempo livre, os empresários estão cientes dos desafios que a mudança traz. Michael Matsuda, gerente de operações do hotel, acredita que a nova jornada permitirá que os colaboradores trabalhem de forma mais disposta, embora reconheça que o impacto financeiro será significativo. Para compensar, a estratégia inclui reajustes nos preços de serviços como hospedagem e estacionamento.
No comércio, a situação é mais cautelosa. Patrícia Auxiliadora, gerente comercial, acredita que, a princípio, não será necessário aumentar o número de funcionários, mas há incertezas sobre como organizar as novas folgas sem afetar o atendimento nos horários de pico, principalmente aos sábados.
Entidades representativas, como a Abrasel, expressam preocupação com os efeitos financeiros da nova jornada. André Mandetta, presidente regional da associação, destaca que a reorganização das equipes será inevitável e que os custos podem aumentar entre 15% e 20% para bares e restaurantes. Jaime Vasconcelos, do Sindivarejista Campinas, também ressalta que o varejo terá que se adaptar rapidamente a essa mudança estrutural no mercado de trabalho.
Por outro lado, a presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB Campinas, Franciele Aparecida Gurgel, vê a mudança com otimismo. Ela acredita que uma jornada mais curta pode não só beneficiar os funcionários, mas também aumentar a produtividade nas empresas. O desafio será encontrar o equilíbrio entre manter as operações funcionando e garantir mais tempo de descanso para os trabalhadores.
As novas regras entrarão em vigor de forma gradual, com um período de transição de 14 meses. Nos primeiros 60 dias, a jornada será reduzida para 42 horas semanais, e nos 12 meses seguintes, para 40 horas. Durante esse tempo, os salários não poderão ser reduzidos, garantindo que a transição ocorra de maneira mais suave para todos os envolvidos.
