sexta-feira, 16/10/2026

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Diário de Campinas

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Trabalhadores celebram novas folgas com o fim da escala 6×1, enquanto comércio e restaurantes de Campinas se preocupam com as consequências.

Na última quarta-feira (14), o Senado Federal aprovou o fim da escala 6×1, uma mudança que promete agitar o mercado de trabalho na região de Campinas (SP). A proposta, que recebeu 75 votos a…

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Na última quarta-feira (14), o Senado Federal aprovou o fim da escala 6×1, uma mudança que promete agitar o mercado de trabalho na região de Campinas (SP). A proposta, que recebeu 75 votos a favor e apenas um contra, já havia passado pela Câmara dos Deputados e agora segue para promulgação. Com isso, os trabalhadores poderão contar com duas folgas por semana e uma redução gradual da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

A nova medida gerou reações diversas. Enquanto muitos trabalhadores celebram a possibilidade de ter mais tempo livre, representantes do comércio e da gastronomia expressam preocupação com os impactos financeiros e a necessidade de reestruturação nas escalas. A trancista Yasmin Eloi é uma das vozes otimistas: “Achei incrível. Ter mais tempo com a família e poder descansar é fundamental”, disse ela. A cozinheira Norberta Aparecida também enalteceu a mudança, ressaltando a importância de cuidar da saúde pessoal.

Por outro lado, o técnico de manutenção Vinícius Gama tem preocupações quanto à pressão que recairá sobre os trabalhadores. “Se isso mexe no bolso do empresário, vai acabar refletindo no bolso do funcionário”, alertou. A presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB Campinas, Franciele Aparecida Gurgel, acredita que as duas folgas podem melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dos trabalhadores, enfatizando a importância do equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

A implementação das novas regras não será imediata. Haverá um período de transição de 14 meses, dividido em duas etapas: nos primeiros 60 dias a jornada será reduzida de 44 para 42 horas, e nos 12 meses seguintes, para 40 horas semanais, sempre mantendo os salários intactos. No entanto, Franciele ressalta que setores como saúde e serviços essenciais não estarão sujeitos a essas mudanças.

Por outro lado, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) se posicionou contra a proposta, prevendo dificuldades na adaptação das escalas de trabalho. O presidente da entidade na Região Metropolitana de Campinas, André Mandetta, afirmou que os estabelecimentos tentarão ajustar suas equipes antes de contratar novos funcionários, o que pode impactar a qualidade do atendimento.

Além disso, o SindiVarejista Campinas também está apreensivo com o curto prazo de adaptação, especialmente com as festas de fim de ano se aproximando. O economista da entidade, Jaime Vasconcelos, destacou que a promulgação da PEC pode trazer efeitos imediatos que coincidem com o Natal, um período crucial para o varejo. Vasconcelos defende que a redução da jornada deve ser gradual, levando em conta as necessidades dos empregadores e o tempo necessário para ajustes.