A pesquisa realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) traz uma inovação que pode transformar o cuidado com feridas: um curativo líquido desenvolvido a partir da cana-de-açúcar. Essa nova tecnologia, que se apresenta como uma película transparente, promete não apenas facilitar o tratamento, mas também acelerar o processo de cicatrização em até 50%, quando comparado aos métodos tradicionais.
O curativo, que é biodegradável e atóxico, pode ser aplicado diretamente na pele através de um spray ou de um dispositivo portátil. Essa alternativa aos curativos convencionais foi criada para atender tanto a saúde humana quanto a veterinária, apresentando-se como uma solução eficaz em situações onde a adesão de gazes e ataduras é problemática.
O professor Rubens Maciel Filho, coordenador da pesquisa, destaca que o projeto surgiu da ideia de reaproveitar a cana-de-açúcar, utilizando processos de fermentação para transformar o açúcar em ácido lático, uma substância que é bem aceita pelo organismo. A equipe responsável pela inovação acredita que essa solução não só oferece praticidade, mas também pode ser utilizada em produtos dermocosméticos e na liberação controlada de medicamentos.
Com um mililitro da solução possibilitando centenas de aplicações, a pesquisa avança para a fase de testes em pacientes, após a obtenção do pedido de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A parceria com a Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) foi crucial para os estudos pré-clínicos, que mostraram resultados promissores na qualidade da cicatrização.
A química Ana Flávia Pattaro, parte fundamental da equipe, enfatiza que o curativo cria uma barreira eficaz contra infecções, permitindo que a pele se recupere sem a necessidade de trocas frequentes. Além de ser resistente à água e transparente, a película permite visualizar a evolução da ferida, eliminando o risco de contaminação cruzada que muitas vezes ocorre nas trocas de curativos convencionais. Assim, a pesquisa da Unicamp não só avança na área da saúde, mas também contribui para a redução de resíduos, promovendo uma abordagem mais sustentável no tratamento de feridas.

