Rafael Vinícius de São José, um baiano natural de São José da Bahia, carrega consigo uma lição valiosa deixada por seu avô, que o criou desde os dois anos de idade. Apesar de ter estudado apenas até a quarta série, o patriarca ensinou ao neto que o conhecimento deve sempre andar lado a lado com o respeito ao próximo. Essa filosofia de vida o acompanhou até a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde Rafael se destacou ao concluir dois doutorados simultaneamente em Geografia e Ciências da Terra.
Hoje, esse talento acadêmico é direcionado a um tema urgente: a seca no sertão da Bahia. Rafael investiga as causas que levam à desigualdade no acesso à água entre as comunidades da região. “Meu avô me dizia que quanto mais um ser humano estuda, mais educado ele deve ser. Ele faleceu há 11 anos, mas seu legado permanece forte em mim”, recorda o pesquisador.
A educação sempre foi um valor central na vida de Rafael. Mesmo com a formação limitada, seu avô incentivava o neto a buscar o saber como uma forma de transformação social. Essa determinação o levou a enfrentar uma rotina intensa na Unicamp, onde decidiu realizar dois doutorados ao mesmo tempo, uma tarefa que exigiu muita dedicação e esforço.
“A carga de atividades acadêmicas é imensa, mas consegui realizar os dois programas no Instituto de Geociências”, explica Rafael. A formação o permitiu se aprofundar nos riscos da seca que afeta o semiárido brasileiro, onde ele não apenas analisa condições climáticas, mas também investiga como fatores sociais tornam algumas comunidades mais vulneráveis à falta de água.
No bairro Alto da Maravilha, em Casa Nova, a aposentada Maria do Carmo de Almeida Ribeiro é um exemplo claro de como a seca impacta a vida das pessoas. Ela relata que, mesmo com a ajuda de uma cisterna, a situação é crítica. “Já precisei pagar até R$ 400 por uma carga de água”, diz, evidenciando a contradição da região, onde a agricultura irrigada prospera enquanto muitas famílias lutam para atender às suas necessidades básicas.
Maria do Carmo também percebe que as chuvas se tornaram cada vez mais escassas. “Antes chovia mais, agora está mais seco”, lamenta. Essa mudança no clima preocupa Rafael, que alerta para a possibilidade de secas mais frequentes no futuro, o que pode agravar ainda mais a questão da escassez hídrica e impactar a biodiversidade local.
Como pesquisador, Rafael busca gerar informações que ajudem o governo a planejar ações preventivas e mitigar os efeitos da seca. “O Brasil precisa investir na redução do risco de desastres hidrometeorológicos”, defende ele. Enquanto isso, moradores como Maria do Carmo continuam enfrentando desafios diários. Durante a visita dos pesquisadores, ela fez um apelo: “O que mais precisamos é de água e luz, porque aqui a gente não tem acesso”.


