A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil foi celebrada em Campinas (SP) com um misto de alívio e uma forte sensação de responsabilidade entre os eleitores presentes. A tensão que permeou a campanha eleitoral ainda ecoa no pensamento de muitos, que, embora comemorando a vitória, enfatizam que isso não representa um apoio incondicional ao novo governo.
Marcos Lima, projetista de 24 anos, destacou que a vitória é resultado da mobilização de diversos grupos sociais, incluindo jovens, mulheres e pessoas LGBT+. Para ele, essa vitória é uma lembrança das conquistas passadas e um chamado à união para novos desafios. “Política é feita por conquista, e conquista é feita na rua”, declarou Marcos, ressaltando a importância da participação popular.
Entre os apoiadores, Márcio Santo Júnior, de 33 anos, compartilhou sua trajetória de ex-apoiador de Jair Bolsonaro. Ele revelou que seu afastamento da direita se deu após vivências em comunidades virtuais que o levaram a refletir sobre preconceitos e desigualdades. “Acho que está na hora de eu tentar estudar o outro lado”, contou, mencionando como encontrou acolhimento na esquerda, mesmo enfrentando divergências com sua própria família.
Caren Zeugma Aureliano da Silva, advogada de 38 anos, também se manifestou sobre a ansiedade que permeou o segundo turno. Para ela, a vitória é uma resposta das ruas, mas os desafios políticos estão apenas começando. “Agora é lutar, continuar lutando”, afirmou, reconhecendo que o caminho à frente não será fácil.
Ramon Araújo Veríssimo, de 37 anos, compartilhou sua experiência de mobilização em busca de votos. Ele brincou sobre a pressão do mês de outubro, mas reafirmou que a população deve acompanhar atentamente o novo governo. “A partir de agora a gente vai cobrar, como qualquer governo”, disse.
Vale destacar que a abstenção nas eleições do 2º turno teve uma queda significativa na região, com 481,9 mil eleitores deixando de votar, uma redução em relação ao primeiro turno. Campinas, sendo o maior colégio eleitoral da área, apresentou a maior diminuição em números absolutos. A taxa de abstenção caiu de 23,57% para 20,97%, evidenciando uma mobilização maior do eleitorado.
Com a reeleição de Lula, a expectativa é de que a população continue a se engajar na política e a acompanhar de perto as decisões do novo governo, cientes de que a luta por conquistas sociais e direitos é uma tarefa coletiva e contínua.


