sábado, 07/11/2026

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Diário de Campinas

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Grupo de agiotagem com 41 pessoas movimentou R$ 13 milhões em empréstimos na região

Uma investigação em Campinas (SP) revelou um esquema de agiotagem que deixou 18 pessoas sem seus imóveis, envolvendo 41 indivíduos, entre eles 11 considerados líderes da organização criminosa. As informações, apuradas pelo g1, mostram…

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Uma investigação em Campinas (SP) revelou um esquema de agiotagem que deixou 18 pessoas sem seus imóveis, envolvendo 41 indivíduos, entre eles 11 considerados líderes da organização criminosa. As informações, apuradas pelo g1, mostram que o grupo movimentou cerca de R$ 13 milhões, com lucros estimados em R$ 4,6 milhões, sem contar o valor dos imóveis tomados.

Dentre os envolvidos, três são empresas que facilitavam a emissão de boletos e a cobrança de dívidas, além de fornecer dinheiro às vítimas. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) não divulgou os nomes dos suspeitos, pois o processo está sob sigilo judicial e se aproxima da fase final da investigação.

Na última sexta-feira (6), a Operação Shylock cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, investigando crimes como agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro. O grupo é acusado de oferecer empréstimos a pessoas em dificuldades financeiras, com imóveis como garantia. Conforme as investigações, pelo menos 62 pessoas foram vítimas desse esquema, sendo 18 delas despojadas de suas propriedades.

Um escrevente do 4º Cartório de Notas de Campinas é apontado como peça-chave na operação, tendo a responsabilidade de oficializar contratos fraudulentos. O funcionamento do esquema envolvia a oferta de empréstimos a juros muito mais altos do que os registrados oficialmente, além da manipulação das dívidas das vítimas, que eram levadas a acreditar que estavam pagando regularmente.

O MP revelou como o processo se desenrolava: intermediários buscavam pessoas necessitando de crédito, principalmente aquelas sem acesso a bancos. Os contratos eram formalizados em cartório, mas os termos acordados verbalmente eram muito diferentes, com juros muitas vezes triplicando o valor inicialmente prometido. Após alguns meses, as vítimas eram pressionadas a quitar dívidas exorbitantes ou a contrair novos empréstimos, culminando na perda de seus imóveis.

Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de bens e o sequestro de propriedades dos investigados, visando evitar a venda ou transferência durante a apuração. O Gaeco de Campinas coordenou a ação, com apoio das polícias Militar e Civil, e o nome da operação, Shylock, remete ao controverso personagem de Shakespeare que empresta dinheiro com severas condições de pagamento.

A comunidade de Campinas agora observa de perto o desenrolar dessa operação, que visa não apenas punir os responsáveis, mas também proteger aqueles que ainda podem estar sob a influência desse esquema criminoso.