O mês de outubro em Campinas (SP) foi surpreendente, com um total de 376 milímetros de chuva registrado, um número que mais que triplica a média histórica da cidade, que é de 117 milímetros. Este volume de precipitação é o maior desde 1991, quando começaram as medições do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp.
Além da quantidade expressiva de água, a frequência das chuvas também se destacou, com muitos dias nublados que impactaram as temperaturas do município. O meteorologista Bruno Bainy observou que, apesar de alguns episódios de chuvas intensas, as mínimas se mantiveram dentro do esperado para a época, enquanto as máximas apresentaram uma diferença mais significativa.
O dia mais quente do mês foi em 9 de outubro, quando os termômetros marcaram 33,8°C. Contudo, apenas três dias ultrapassaram a barreira dos 30°C. A média das temperaturas mínimas ficou em 17,7°C, levemente abaixo do que se esperava. Bainy explica que essa variação não foi causada por massas de ar frio, mas sim pela grande quantidade de nuvens que inibiu o aquecimento durante o dia.
Curiosamente, a última semana do mês trouxe um frio atípico, com mínimas chegando a 13°C, mas isso não foi uma tendência ao longo do mês. De acordo com Bainy, o padrão de clima observado em setembro e outubro pode estar ligado ao fenômeno do El Niño, que, segundo ele, influencia a formação de ventos fortes na troposfera, favorecendo a ocorrência de chuvas.
Essa abundância de chuvas também teve um efeito positivo, aumentando a vazão dos rios que abastecem a região de Campinas, um alívio para a população que enfrenta os desafios da seca em outras épocas do ano.
Crédito da imagem: Chuvas em Campinas (SP) ficaram acima da média em outubro


