quarta-feira, 28/10/2026

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Diário de Campinas

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Sobrevivente da ditadura redescobre seu interrogatório na Unicamp e reflete sobre o passado

Em um reencontro emocionante com o passado, Robêni Baptista da Costa, uma sobrevivente da ditadura militar, teve a chance de revisitar suas memórias dolorosas através de documentos guardados na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).…

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Em um reencontro emocionante com o passado, Robêni Baptista da Costa, uma sobrevivente da ditadura militar, teve a chance de revisitar suas memórias dolorosas através de documentos guardados na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A aposentada, que carrega as cicatrizes da tortura, encontrou, em meio a registros históricos, um registro de um de seus interrogatórios, que a fez refletir sobre a importância da preservação da memória.

Robêni, que estudou na Unicamp durante os anos de repressão, participou da primeira greve estudantil da universidade em 1974. Ao se deparar com o documento, a emoção tomou conta dela. “Eu estou muito emocionada. Porque em algum lugar, a palavra me preservou”, declarou, agradecendo à bibliotecária Joana Bernadete de Campos, que dedicou sua vida a manter viva a história de vítimas do regime militar.

Joana, que trabalha na Unicamp há 47 anos, começou sua trajetória como servente e, após um concurso, se tornou responsável pela preservação de arquivos. Para ela, o trabalho não é apenas uma profissão, mas uma missão. “É o que permite que a gente continue existindo através dessa palavra”, enfatizou Robêni, reconhecendo a importância do esforço de Joana e de tantos outros profissionais que se dedicam à memória histórica.

As lembranças mais traumáticas de Robêni estão ligadas ao DOI-Codi, um dos principais centros de tortura em São Paulo, onde ela sofreu choques elétricos durante os interrogatórios. “A pior foi nas orelhas, a impressão que eu tenho até hoje é que o cérebro estava dentro de um liquidificador”, relatou, recordando a intensidade da dor que sofreu. O local, agora objeto de escavações arqueológicas, revela fragmentos do passado que ajudam a contar a história da repressão.

A Unicamp, fundada em 1966, se destaca por seu acervo documental que abrange diversas épocas e histórias, incluindo obras raras e registros políticos que são fundamentais para entender a trajetória do Brasil. Gustavo Rossi, do Arquivo Edgard Leuenroth, reflete sobre a importância dos arquivos como espaços de escuta das vozes do passado, permitindo que experiências como a de Robêni não sejam esquecidas.

Hoje, Robêni vive em Barão Geraldo, em Campinas, onde aprecia a tranquilidade do local, mas sabe que sua história vai além das memórias que guarda. Ao olhar para os documentos preservados, deixou uma inquietante pergunta sobre seu legado: “Quem será que vai contar a minha história?” A resposta para essa questão é fundamental para garantir que os horrores do passado não sejam apenas lembranças, mas lições para o futuro.