Recentemente, uma cena impressionante foi registrada às margens do Rio Cuiabá, no Parque Estadual Encontro das Águas, no coração do Pantanal matogrossense. Um socó-boi, ave típica da região, foi flagrado capturando e devorando um filhote de jacaré, um momento que rapidamente viralizou nas redes sociais. O fotógrafo e guia Bruno Sartori Reis, que possui formação em Biologia, capturou o momento inusitado durante uma navegação guiada pela área.
Natural de São Paulo, Bruno passou parte da infância em Mato Grosso e decidiu retornar para trabalhar com sua paixão: a vida selvagem. Ele organiza expedições turísticas voltadas para a observação de animais em seus habitats naturais. “O Pantanal sempre me fascinou, e cenas como essa são inesperadas e surpreendentes. É como se o Pantanal nos presenteasse com momentos únicos”, compartilha Bruno, que não esconde a empolgação pelo que presenciou.
No início, tanto Bruno quanto os passageiros do barco não conseguiam identificar o que a ave havia capturado. “Vimos ele saindo da água e achamos que era um peixe, mas depois percebemos que se tratava de um jacarezinho”, relembra. O grupo acompanhou a cena fascinante da captura e alimentação da ave por aproximadamente 40 minutos, todos ansiosos para registrar o momento.
Conversamos com o ornitólogo Augusto Batisteli, que explicou que o socó-boi é um predador generalista e sua dieta inclui uma variedade de animais, como peixes, anfíbios e, claro, filhotes de jacaré. Essa captura, embora impressionante, está dentro dos hábitos alimentares da ave. A estratégia do socó-boi consiste em permanecer imóvel à beira da água, aguardando o momento certo para atacar, o que aumenta suas chances de sucesso na captura.
Com um corpo que pode parecer pequeno, o socó-boi tem adaptabilidades que lhe permitem capturar presas consideravelmente maiores. O bico longo e largo, junto com a elasticidade do esôfago, permitem que a ave engula presas que aparentam ser grandes demais para seu tamanho. Batisteli comenta que, embora o socó-boi possa capturar presas grandes, o ideal é que busque um equilíbrio entre o tamanho da presa e o esforço necessário para a captura.
A cena registrada por Bruno não é apenas uma curiosidade, mas uma janela para a complexidade da vida selvagem no Pantanal. O socó-boi, que pode medir entre 66 e 76 centímetros, vive em áreas úmidas e é encontrado em todo o Brasil e partes da América do Sul e Central. Durante a reprodução, constrói ninhos em árvores e arbustos, onde a fêmea coloca de dois a três ovos.
O nome popular da ave vem de sua vocalização, que lembra o mugido de um boi. Cada encontro no Pantanal nos lembra quão rica e surpreendente é a vida selvagem que nos cerca, revelando sempre algo novo e fascinante.


