quarta-feira, 21/10/2026

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Diário de Campinas

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Urutau, ave ameaçada de extinção, é avistado pela primeira vez no Parque Nacional da Bahia

No sul da Bahia, uma expedição no Parque Nacional do Descobrimento trouxe à tona uma descoberta emocionante: pela primeira vez, a rara ave noturna conhecida como urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus) foi filmada em seu habitat…

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No sul da Bahia, uma expedição no Parque Nacional do Descobrimento trouxe à tona uma descoberta emocionante: pela primeira vez, a rara ave noturna conhecida como urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus) foi filmada em seu habitat natural. A equipe de monitoramento, formada por pesquisadores e líderes indígenas, buscava registrar a avifauna local e se deparou com a vocalização dessa espécie pouco conhecida, o que culminou em um registro inédito.

O condutor de visitantes, Jaílson Souza, destacou a relevância desse achado. “Muitas pessoas nem sabem que essa ave existe, e sua presença aqui, que não constava nem no plano de manejo do parque, é um sinal importante para a conservação da natureza”, afirmou. O urutau-de-asa-branca, que é considerado uma espécie ameaçada, foi avistado no último dia da campanha, mas sua presença na região foi identificada logo no início do monitoramento, em outubro.

O trabalho da equipe visava catalogar a diversidade de aves nas áreas do Parque Nacional e na Terra Indígena Comexátibá, com o plano de lançar um guia específico no próximo ano. “Estamos em nossa segunda campanha para a criação desse guia e já registramos aves fascinantes, como o beija-flor bandeirinha e a harpia. O registro do urutau foi uma grande vitória, pois ouvimos sua vocalização desde o início e só conseguimos avistá-lo no último dia”, comentou Carlos Silva, conhecido como Piatã Pataxó, um dos líderes da expedição.

O urutau-de-asa-branca não apenas enriquece o futuro guia de aves do parque, mas também se torna um símbolo da conservação local, que junta turismo e cultura. A pesquisadora Rafaela Campostrini Forzza, do ICMBio, ressaltou a importância do Parque Nacional como um dos maiores fragmentos de floresta de tabuleiro do Nordeste e um refúgio para espécies ameaçadas. “A observação de aves pode ser uma maneira de atrair mais visitantes para a unidade”, afirmou.

O projeto, que contou com o apoio de instituições como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e o WWF, culminará na publicação do guia de aves do Parque Nacional do Descobrimento, prevista para o primeiro semestre de 2027. Para os amantes da natureza, o grupo também organiza atividades regulares de observação de aves, promovendo o “Vem Passarinhar Cumuru”.

O urutau-de-asa-branca, uma ave criticamente ameaçada, é endêmica da Mata Atlântica e enfrenta sérios riscos devido à perda de habitat. Com cerca de 30 centímetros, suas penas escuras e a camuflagem eficaz a tornam quase invisível em seu ambiente natural. A descoberta da presença dessa espécie no parque é um passo significativo para a preservação da rica biodiversidade da região.