O trágico acidente aéreo que chocou Vinhedo e todo o Brasil em agosto de 2024, resultando na morte de 62 pessoas, agora traz novas reviravoltas. O Ministério Público Federal (MPF) anunciou nesta quarta-feira (21) que 12 funcionários da Voepass foram formalmente denunciados pela Justiça Federal, tornando-se réus por crimes relacionados à segurança do transporte aéreo.
Entre os denunciados estão nomes de peso, como José Luis Felicio Filho, proprietário da companhia, e Eric Cônsoli, diretor de manutenção. Ambos são apontados por ex-funcionários como figuras centrais na gestão da empresa antes do acidente. A denúncia inclui acusações graves de atentado contra a segurança aérea e sinistro em transporte aéreo, com penas que podem chegar a até 24 anos se considerados os desdobramentos que resultaram em mortes.
As investigações revelaram uma “cultura de normalização de desvios” dentro da Voepass, onde procedimentos de segurança foram ignorados, permitindo que aeronaves operassem sob condições inseguras. O MPF destacou que as falhas não eram apenas técnicas, mas refletiam uma falha sistêmica na gestão da segurança operacional da companhia.
Entre os acusados, o diretor de operações, Marcel Sarquis Moura, e o ex-chefe de pilotos, Raphael Limongi de Figueiredo, também foram citados por não garantir que as operações seguissem as normas de segurança. Esses relatos se somam a um quadro preocupante que sugere uma falta de responsabilidade e vigilância em relação à segurança dos voos.
A Voepass, por sua vez, defendeu sua trajetória de mais de 30 anos no setor aéreo, afirmando que sempre priorizou a segurança operacional. A empresa declarou que cooperará com as autoridades no processo judicial, enquanto os denunciados se preparam para se defender das acusações em tribunal.
A tragédia em Vinhedo não apenas abalou a comunidade local, mas agora levanta questões profundas sobre a responsabilidade das empresas aéreas e a segurança dos passageiros. À medida que o caso avança, muitos aguardam respostas e justiça para as famílias afetadas por essa perda irreparável.


