Durante uma caminhada no campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, o estudante Jonas Gazzaneo Denardo teve um encontro inusitado com a natureza. Na madrugada de 17 de setembro, ele avistou uma pequena aranha-caranguejo, da espécie Epicadus trituberculatus, que se camuflava de forma impressionante sobre uma flor de ipê-roxo.
Jonas, que é estudante de Ciências Biológicas e macrofotógrafo, não estava buscando a aranha em particular, mas sim explorando as áreas verdes do campus em busca de invertebrados para registrar. “Foi um achado inesperado. Para perceber a aranha, precisei olhar com atenção, pois sua forma se mesclava perfeitamente ao ambiente”, relata.
Com um corpo que mais parecia uma escultura delicada, a Epicadus trituberculatus é uma verdadeira artista da camuflagem, um talento que caracteriza as aranhas do gênero Epicadus. “O que me chamou a atenção foi uma simetria que destoava das folhas ao meu redor”, explica Jonas, que, mesmo habituado a observar pequenos animais, ficou surpreso pela sutileza do mimetismo.
Essas aranhas não usam teias para capturar suas presas. Em vez disso, permanecem imóveis, esperando uma oportunidade para atacar insetos desavisados. “Ela estava completamente parada, como uma verdadeira caçadora à espreita”, comenta o fotógrafo, que também destaca a importância da paciência para obter o registro perfeito.
Transformar esse momento em uma foto detalhada não foi tarefa fácil. O vento poderia facilmente desfocar a imagem, exigindo um trabalho minucioso de empilhamento de foco, técnica que combina várias fotos para garantir nitidez em toda a composição. “Foi um desafio, mas o resultado valeu a pena”, diz Jonas, visivelmente satisfeito com o registro.
A identificação da aranha também foi um processo cuidadoso. Após analisar suas características morfológicas e consultar referências científicas, Jonas teve a confirmação de especialistas do Laboratório de Aracnologia (LARC) da Unesp.
Além de destacar a beleza da natureza, essa descoberta reforça a importância das áreas verdes, mesmo em ambientes urbanos como o campus da Unesp. “Estes locais funcionam como verdadeiros santuários para a biodiversidade”, conclui Jonas, convidando todos a observar com mais atenção a rica fauna que nos cerca, muitas vezes invisível aos olhos apressados do cotidiano.
Crédito da imagem: Jonas Gazzaneo Denardo


