quarta-feira, 04/11/2026

26° Campinas Nublado · máx 31° mín 20°

Diário de Campinas

26° Campinas Nublado · máx 31° mín 20°

Diálogo entre comissária e mecânico da Voepass mostra alerta sobre segurança dos aviões 21 meses antes do acidente

Uma nova reviravolta no caso da queda do voo da Voepass, que vitimou 62 pessoas em Vinhedo (SP), traz à tona uma mensagem preocupante enviada por um mecânico da empresa, Alex de Souza Leandro,…

Compartilhe:

Uma nova reviravolta no caso da queda do voo da Voepass, que vitimou 62 pessoas em Vinhedo (SP), traz à tona uma mensagem preocupante enviada por um mecânico da empresa, Alex de Souza Leandro, à comissária de bordo Rubia Silva de Lima, quase dois anos antes da tragédia. O conteúdo da conversa, extraído da perícia no celular da comissária, reforça os indícios de falhas na manutenção das aeronaves, conforme a investigação do Ministério Público Federal (MPF).

Na mensagem, datada de 22 de novembro de 2022, Alex faz uma afirmação alarmante: “esses aviões não cai, pq Deus gosta muito da gente”. Essa declaração é vista como um reflexo do desprezo pela segurança, evidenciando uma cultura de negligência em relação à manutenção das aeronaves, um ponto central na tese do MPF de que a queda do ATR 72-500 em 9 de agosto de 2024 era um desfecho previsível.

A Justiça recentemente retirou o sigilo do processo, permitindo que detalhes cruciais emergissem. As conversas extraídas do celular de Rubia incluem relatos de problemas recorrentes nas aeronaves da Voepass. Em uma troca de mensagens, uma colega relata que um voo teve que ser realizado sob condições insuportáveis de calor devido a uma falha no ar-condicionado, e que a tripulação foi pressionada a seguir adiante. “Eu fiquei chocada assim, sabe? Não, nada me choca mais”, desabafa a funcionária.

Além disso, o Núcelo de Inteligência Policial, que analisou o celular da comissária, destacou que as conversas revelavam um padrão de desleixo com a segurança, que parecia ser sabido por todos os níveis da companhia. As mensagens indicam que problemas técnicos eram constantes, com referências a aviões “dando trabalho o dia inteiro” e “toda bixada cheia de pane”.

Doze pessoas foram denunciadas, incluindo diretores e mecânicos, por crimes relacionados à segurança do transporte aéreo. Durante a investigação, Alex negou qualquer irregularidade nas manutenções, mas reconheceu que havia pressão para agilizar os voos. A defesa do mecânico informou que está preparando sua resposta à acusação e se manifestará no momento oportuno.

A Voepass, por sua vez, declarou que está colaborando plenamente com a Justiça e reafirmou seu compromisso com a segurança operacional, apesar das graves acusações levantadas. A repercussão do caso continua a ser um assunto de grande preocupação e debate na comunidade, uma vez que as famílias das vítimas buscam respostas e justiça.