Após quase cinco anos de promessas, o Shopping Popular de Campinas, destinado a abrigar camelôs do Centro, enfrenta mais um revés. Em outubro, a Prefeitura indeferiu o pedido de aprovação do projeto, que já teve um contrato estimado em R$ 128,2 milhões. Essa decisão foi publicada no Diário Oficial, sinalizando a falta de progresso no processo.
Ainda que o indeferimento não signifique o fim do projeto, a construção segue sem previsão de início. O shopping, planejado para a área do Complexo Ferroviário, nas proximidades da Estação Cultura, deveria ter começado em 2022 após a assinatura de um contrato entre o Sindicato dos Empreendedores Individuais de Ponto Público Fixo e Móvel de Campinas (Sindipeic) e a empresa responsável pelas obras. Até agora, nada foi concretizado.
O motivo para o indeferimento, segundo a Secretaria Municipal de Urbanismo, foi o tempo excessivo que se passou sem avanço no projeto. Além disso, a construção precisa ser adaptada para se alinhar às áreas reservadas do Trem Intercidades, que ligará Campinas a São Paulo. Para isso, a Prefeitura já disponibilizou mapas atualizados ao Sindipeic, que agora aguarda um retorno sobre as mudanças necessárias.
As incertezas sobre o futuro do shopping não param por aí. A concessão do terreno foi autorizada pela Lei Complementar nº 281, que estipula um prazo de dois anos para o início das operações, podendo ser prorrogado por mais dois. Recentemente, a Prefeitura confirmou que o Sindipeic solicitou uma nova prorrogação, que foi concedida, mas os detalhes sobre o novo prazo ainda não foram divulgados.
Enquanto isso, o Ministério Público de São Paulo informou que não recebeu novas denúncias relacionadas ao Shopping Popular e que um inquérito sobre a ocupação de espaços públicos por camelôs foi arquivado, apontando que houve fiscalização efetiva durante anos.
O projeto original do Shopping Popular previa a construção de 1.623 boxes comerciais, com uma área total de 42,6 mil metros quadrados e 633 vagas de estacionamento. Os camelôs que atualmente ocupam as ruas do Centro deveriam ser realocados para o novo espaço assim que as obras fossem finalizadas, mas essa promessa continua distante.
Campinas, que aguarda ansiosamente por soluções para a questão dos camelôs, ainda vê o futuro do Shopping Popular cercado de incertezas e prazos indefinidos. O que resta agora é esperar por uma resposta concreta do sindicato e a efetivação de um projeto que, até o momento, se mostra mais distante do que próximo.


