A decisão da Justiça Federal de aceitar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e transformar em réus 12 pessoas envolvidas no trágico acidente do voo 2283 da Voepass traz um novo fôlego para os familiares das 62 vítimas que perderam a vida em 9 de agosto de 2024. Para Luciano Katarinhuk, advogado que defende a Associação dos Familiares das Vítimas, essa é uma oportunidade crucial para que as responsabilidades sejam finalmente apuradas. “Estamos esperançosos de que os acusados sejam responsabilizados por um crime que ceifou tantas vidas”, afirmou.
O acidente, que ocorreu em Vinhedo, não pode ser considerado apenas uma fatalidade, segundo o advogado. Ele enfatiza que a queda do avião é um crime que precisa ser tratado com a seriedade que merece. A Justiça decidiu que os réus enfrentarão acusações de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro, que, pelo Código Penal, pode resultar em penas de reclusão de quatro a doze anos.
Leonardo Amarante, que representa os familiares de 37 das vítimas, também expressou otimismo com essa nova fase do processo. “Esta decisão marca um momento inédito no Brasil em termos de responsabilização por acidentes aéreos”, destacou, esperando que o andamento do processo leve a uma condenação justa.
O MPF argumenta que os crimes atribuídos aos denunciados vão além das causas diretas do acidente. A investigação apontou que a Voepass priorizava a redução de custos e lucros em detrimento da segurança das aeronaves, algo que gerou um clima de normalização de desvios na companhia. As falhas de manutenção e registros falsos foram destacados como práticas recorrentes que contribuíram para a tragédia.
Entre os réus estão figuras centrais da alta administração da Voepass, incluindo o presidente José Luiz Felício Filho. Além dele, profissionais como despachantes de voo e mecânicos também estão na lista, todos acusados de desempenharem papéis diretos na sequência de eventos que culminaram na queda do avião.
A Voepass, por sua vez, se manifestou em nota, afirmando que continuará colaborando com as autoridades e o Judiciário durante todo o processo. A companhia reafirmou seu compromisso com a segurança operacional, apesar das graves acusações que agora pesam sobre sua gestão.
As investigações, que envolveram a Polícia Federal e o Cenipa, revelaram que a companhia estava ciente de que a aeronave não tinha a certificação necessária para operar em condições climáticas adversas. Mesmo assim, o voo foi realizado em um dia com alertas de gelo severo, o que pode ter contribuído para a perda de controle da aeronave.
Agora, enquanto a Justiça avança neste caso, os familiares das vítimas esperam que a verdade prevaleça e que aqueles que falharam em garantir a segurança dos passageiros sejam responsabilizados. A luta por justiça continua, e as próximas etapas do processo serão observadas de perto por todos os afetados por essa tragédia.

