A recente decisão da Justiça Federal de tornar réus 12 pessoas envolvidas no trágico acidente do voo 2283 da Voepass reacendeu a esperança de justiça para os familiares das vítimas. Entre eles, está Adriana Ibba, mãe de Liz, a menor a perder a vida na tragédia, que tinha apenas 3 anos. Às vésperas do que seria o aniversário de 6 anos da filha, Adriana expressou sua gratidão pelo trabalho da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) na investigação que resultou na denúncia.
“Essa decisão é um reconhecimento de todo o esforço que temos feito desde 9 de agosto de 2024. Ver a Justiça agir dessa forma me traz uma nova esperança de que a verdade e a justiça venham à tona”, afirmou a mãe, que tem lutado incessantemente pela responsabilização dos culpados pela queda do avião que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo, interior de São Paulo.
O advogado Luciano Katarinhuk, que representa a Associação dos Familiares das Vítimas, também comentou a importância da aceitação da denúncia pelo MPF, destacando que esse é um passo crucial para que os responsáveis sejam efetivamente punidos. “Estamos diante de um crime, não de um acidente, e queremos que esses 12 denunciados sejam responsabilizados”, enfatizou.
Já para Leonardo Amarante, que defende as famílias de 37 vítimas, a decisão judicial representa um marco na responsabilização em casos de acidentes aéreos no Brasil. “É um momento inédito que esperamos que leve a uma condenação justa”, disse. O MPF aponta que os crimes atribuídos aos réus vão além das causas diretas do acidente, envolvendo uma cultura interna na Voepass que priorizava a economia em detrimento da segurança dos voos.
Entre os 12 réus estão altos executivos da Voepass, incluindo o presidente José Luiz Felício Filho, e funcionários que tiveram papel ativo na operação do voo. A denúncia revela que a companhia mantinha práticas inadequadas de manutenção e operação das aeronaves, colocando em risco a segurança dos passageiros.
A Voepass, em nota, se comprometeu a colaborar com as investigações e reafirmou seu compromisso com a segurança operacional ao longo de mais de três décadas. A defesa de José Luiz Felício Filho também se manifestou, afirmando que se pronunciará no momento apropriado, respeitando o devido processo legal.
Com o desdobramento deste caso, as famílias das vítimas seguem em busca de justiça, e a decisão da Justiça Federal traz um sopro de esperança em meio à dor e à luta por respostas e reparação. As próximas etapas do processo serão acompanhadas de perto por todos os envolvidos, que aguardam um desfecho que faça jus à gravidade da tragédia.

