Aos 19 anos, Nayumi Gentil Oliveira carrega um sonho que muitos jovens têm: a vontade de ingressar na faculdade. Entretanto, sua trajetória até aqui foi marcada por desafios imensos, incluindo uma luta contra o câncer. Diagnosticada com glioblastoma, um tipo agressivo de tumor cerebral, ela recebeu a difícil notícia de que tinha menos de um ano de vida. Após passar por diversos tratamentos convencionais sem sucesso, a esperança surgiu quando sua família encontrou a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde pesquisadores estavam testando uma nova imunoterapia para combater a doença.
O tratamento clínico experimental foi um divisor de águas. Com os avanços do tumor controlados, Nayumi conseguiu voltar a estudar e concluir o ensino médio. Sua mãe, Naeide Oliveira, expressa sua gratidão: “Foi a mão de Deus que colocou a gente exatamente na Unicamp. Se não fosse por eles, a minha filha não estaria aqui hoje”, disse emocionada.
Essa reportagem faz parte da série “Unicamp 60”, que celebra os 60 anos da universidade, mostrando como suas pesquisas impactam a sociedade e contribuem para o desenvolvimento do Brasil. Nayumi, que chegou à Unicamp após já ter tentado outros tratamentos, encontrou na equipe liderada pelo diretor do Instituto de Biologia, Wagner José Fávaro, uma nova chance de vida. O OncoTherad, a imunoterapia desenvolvida pela universidade, utilizou nanopartículas sintéticas para ajudar o corpo a combater o câncer, ativando células de defesa essenciais.
Fávaro relatou que o tumor de Nayumi respondeu positivamente ao tratamento, estabilizando-se e permitindo que ela retomasse sua rotina. “Com a doença adormecida, ela voltou para a escola e conseguiu se formar”, destacou o pesquisador.
Agora, Nayumi enfrenta o desafio de ingressar no ensino superior, mas as dificuldades de concentração ainda a afligem. “Eu estou tendo dificuldades de prestar atenção, então está difícil”, admitiu, visivelmente emocionada. Apesar disso, sua determinação é admirável. “Eu tenho um Deus que me dá forças para tudo que eu quero e o tratamento está me ajudando bastante”, disse.
A história de Nayumi é um exemplo inspirador de como as pesquisas acadêmicas podem transformar vidas. Ao longo de suas seis décadas, a Unicamp tem contribuído com inovações significativas nas áreas de medicina, alimentação e tecnologia, entre outras. Pesquisas como a ampliação do teste do pezinho e o aperfeiçoamento do DIU hormonal são apenas algumas das muitas iniciativas que buscam melhorar a vida da população.
Recentemente, a universidade também desenvolveu a chamada “caneta do câncer”, uma tecnologia que promete revolucionar as cirurgias ao identificar tecidos tumorais em questão de segundos. De acordo com a cientista Livia Schiavinato Eberlin, os primeiros resultados mostram uma precisão de 95% na identificação de câncer de pulmão durante as operações, o que pode ser um grande avanço na preservação de tecidos saudáveis.
Com mais de 6 mil publicações científicas anualmente, a Unicamp continua a transformar conhecimento em progresso social, mostrando que a ciência pode, de fato, mudar vidas — como a de Nayumi, que, com fé e coragem, busca agora realizar seu sonho acadêmico.


