Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), o cenário das livrarias é um pouco mais encorajador do que o encontrado em grande parte do Brasil. Apesar de quase dois terços dos municípios brasileiros não terem sequer uma livraria, as 20 cidades que compõem a RMC contam com estabelecimentos desse tipo, embora o crescimento no setor tenha sido modesto.
De acordo com um levantamento do IPC Maps, o número de livrarias na região subiu de 466 para 483 entre 2025 e 2026, resultando em um crescimento de apenas 3,65%. Esse índice fica abaixo da média nacional de 9,2%, e o especialista Marcos Pazzini alerta para a necessidade de cautela ao interpretar esses números. Ele destaca que a expansão em algumas áreas do país pode ser impulsionada pela abertura de livrarias em municípios que não tinham nenhuma, elevando assim os percentuais de crescimento.
O comércio de livros enfrenta desafios significativos, como a concorrência do e-commerce e a diminuição no consumo em tempos de crise econômica. Pazzini observa que muitos veem a compra de livros como um gasto que pode ser eliminado quando o orçamento aperta. “Após a pandemia, o comércio foi um dos setores que mais sofreu com o fechamento de empresas. Para muitas famílias, livros são considerados supérfluos e, em tempos difíceis, são os primeiros a serem cortados”, explica.
Com a aproximação do Dia Nacional do Livro, celebrado nesta quinta-feira (29) em homenagem à fundação da Biblioteca Nacional em 1810, vale ressaltar a posição privilegiada da RMC no cenário nacional. Enquanto 63,7% dos municípios brasileiros não possuem livrarias, todas as cidades da RMC têm pelo menos uma. Campinas se destaca, concentrando 253 livrarias, o que representa 52,4% do total na região. Americana e Indaiatuba vêm em seguida, com 43 e 36 estabelecimentos, respectivamente.
Em um movimento de resistência e reinvenção, muitas livrarias de rua em Campinas têm se destacado com a realização de saraus, cursos e grupos de leitura. Vinhedo, por sua vez, foi o município que mais cresceu em termos percentuais, passando de sete para 12 livrarias, um aumento de 71,4%. Em números absolutos, Campinas lidera a lista com nove novas unidades, enquanto Indaiatuba e Vinhedo adicionaram cinco cada, e Americana quatro.
Por outro lado, Holambra aparece como a cidade com a menor quantidade de livrarias na RMC, com apenas uma unidade. Santo Antônio de Posse e Morungaba têm duas livrarias cada. A realidade das livrarias na RMC é um reflexo das particularidades da região, onde a paixão pela leitura ainda encontra formas de se manter viva, apesar dos desafios.
Crédito da imagem: Foto de arquivo de livraria


