A luta de Karin Rachel Aranha Toledo, uma mãe de Campinas (SP), para recuperar seu filho Adam, de apenas 8 anos, se arrasta há quatro anos após o menino ter sido levado ao Egito pelo pai sem a sua autorização. A dor e a frustração são palpáveis nas palavras de Karin, que se sente exausta e impotente diante de um sistema que parece não ter respostas.
“Eu fiz de tudo, mas no fundo, não consegui nada”, desabafa. A história de Karin começou em setembro de 2022, quando Adam, então com apenas 4 anos, foi levado para o Egito. Desde então, a mãe tem enfrentado uma verdadeira batalha judicial, que inclui tentativas de localizar o filho e uma série de decisões favoráveis e desfavoráveis em ambos os países.
A Justiça Federal de Campinas chegou a emitir um mandado de prisão contra o pai, que foi incluído na lista da Interpol. A trajetória de Karin a levou até o Egito, onde a Justiça local chegou a conceder a guarda do menino a ela. No entanto, mesmo após essa decisão, a execução da ordem judicial se provou um desafio, com tentativas frustradas de localizar Adam e a prisão temporária do pai e da avó paterna por desobediência.
Em um momento crítico, Karin revelou que foi levada a deixar o Egito por uma instituição após receber ameaças. Após retornar ao Brasil, ela se sente insegura para voltar ao país árabe sem apoio, ressaltando a solidão e o medo que a acompanham. “Eu não tenho condições de ir para o Egito e passar pelo que passei sozinha”, afirmou.
A passagem do tempo pesa ainda mais sobre a mãe, que lamenta não saber nada sobre a rotina do filho. “São quatro anos perdidos. Mês que vem, o Adam faz oito anos, e eu não sei o que ele gosta, nem o número que veste”, contou, expressando seu temor de que o menino cresça sem saber de sua luta constante para reencontrá-lo.
Além do custo emocional, Karin estima que gastou mais de R$ 500 mil em suas tentativas de recuperar Adam, um valor que inclui gastos com advogados e deslocamentos. Apesar de buscar apoio das autoridades, a resposta tem sido lenta e muitas vezes insatisfatória. O Ministério das Relações Exteriores acompanha o caso, mas a assistência ainda não trouxe uma solução concreta.
Enquanto isso, a espera continua. “Peço a Deus para que, um dia, Adam possa me ver novamente”, concluiu Karin, que vive a angustiante expectativa de um reencontro que parece distante.


